Plantar a Lua

Nosso sangue é nossa água sagrada. Em tradições matriarcais antigas era costume a mulher ofertar o seu sangue à terra como forma de agradecimento.

Mulheres se juntavam nas tendas vermelhas para honrar este momento sagrado, ali as mais velhas passavam seus conhecimentos para as mais novas e juntas honravam seu sangue sentadas diretamente na terra, deixando-o escorrer ali mesmo.

Infelizmente esse costume já não faz parte da vida de muitas mulheres, acabamos nos esquecendo em meio a correria do dia-a-dia, e de fato nossas ancestrais não levaram esse costume adiante dentro do patriarcado.

Plantar seu sangue é uma forma de agradecimento à Mãe Terra, assim fertilizamos o solo novamente e nos abrimos para aprender cada vez mais com a Grande Mãe. Muitos desequilíbrios físicos podem ser evitados e sanados através desta prática: ovário policístico, miomas, ciclo menstrual irregular, cólicas e desconfortos da menstruação, infertilidade, tensão pré-menstrual, etc.

Ao devolvermos nosso sangue para a Terra nos reconectamos com nossas raízes, com o sagrado em nós, honramos nossas ancestrais e reconhecemos que nosso sangue é vida. Cada mulher pode desenvolver seu ritual individual, fazê-lo com respeito e muita reverência a Mãe Terra.

O ideal é ter um jarro consagrado no seu altar pessoal da Deusa para a colheita do sangue, caso não tenha designe uma vasilha somente para este fim. Para quem usa absorventes ecológicos, basta deixá-los de molho em água sem nenhum outro produto algumas horas para que solte o sangue e essa água será distribuída nas plantas.

Para quem usa o coletor menstrual, basta virar o sangue coletado no jarro com a água e distribuir nas plantas. Para quem usa absorventes comuns, pode fazer a coleta do sangue durante o banho ou quando for usar o banheiro e sentir que vai descer “coágulo” de sangue.

A mistura do sangue com a água é importante, porque este é o único elemento que conserva o sangue e o protege. O sangue por si só já traz uma força e uma energia de vida e morte intensa, podendo sufocar a planta dependendo da sensibilidade dela.

Algumas mulheres escolhem plantas ligadas ao feminino como artemísia, rosa branca para ofertarem seu sangue, mas você pode oferta-lo na planta de sua preferência. O ideal é que seja uma planta somente usada por você ou uma planta no ambiente da sua casa. Você pode variar a planta de mês para mês, mas pessoalmente sinto que colando sempre na mesma planta um elo forte é criado entre a mulher a planta recebedora.

As mulheres que estão na menopausa e desejam fazer uma oferenda à Terra, podem ofertar um pouco de vinho e as meninas que ainda não tiveram sua primeira menstruação podem ofertar água de rosas brancas. Nestes casos o ritual é feito na Lua Nova.

Sangrar diretamente na terra é o mais recomendado, ali com o sangue escorrendo a conexão fica ainda mais forte.

É importante que esse ritual seja feito com todo o respeito e silêncio, procure observar seu ritmo interno e fortalecer essa conexão com a Mãe Terra. Procure ouvir sua voz interna e deixe que ela te mostre o que dentro de você deve morrer neste ciclo para algo novo renascer.

Sugestão de oração:

“Liberto-me do medo para abraçar a liberdade

Liberto a minha dor para abraçar a alegria

Liberto a minha raiva para abraçar a compaixão 

Liberto a minha tristeza para abraçar a paz.”

Fotografia: Camilla Albano
Oração: Inês Gaya